Primeira Guerra Mundial

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Primeiro, antes de falar da Primeira Guerra Mundial temos que entender como estava a situação da Europa. O que vou falar aqui você encontra na aula sobre o Neocolonialismo. O fato é que desde o final do século passado os europeus viviam um momento glorioso, onde suas nações industrializadas consideravam-se a elite intelectual do mundo moderno. Na cabeça deles, o homem branco europeu era uma raça superior, com um estilo de vida que representava a civilização. Suas tecnologias eram superiores, seus métodos eram corretos e como você viu no outro texto isso deu suporte para a Europa colocar em prática o neocolonialismo de maneira imperialista. Por esse motivo que eles invadiram terras como as da África, ocupando territórios e óbvio, aproveitando para recolher todos os recursos naturais e matérias-primas desses locais. Mas e como proceder quando a gente tem o território de um país secando os recursos enquanto o do outro país ainda tinha o que explorar? Temos agora o terreno perfeito para começar uma guerra.

Ok, guerra, mas ninguém queria começar a guerra, por isso estavam em paz. Desde 1870 a Europa viveu a última guerra, travada entre a Prússia (um reino que vai ser a futura Alemanha) e a França. Porém a verdade é que as nações viviam em uma “paz armada” (pois todas as nações mais ricas estavam em paz, mas armavam os seus exércitos para caso fosse necessário defender os seus interesses). Esses sentimentos racistas, de orgulho nacional exaltado e a necessidade de conseguir materiais nas colônias serão os motivos para a Primeira Guerra Mundial. Vamos tentar resumir os motivos que levaram a uma guerra:

  • Concorrência econômica e imperialista: Onde uma nação expandia o seu poder econômico, obrigava a outra a recuar. Nesse embate, podemos ver claramente a Alemanha (que se industrializou tarde) e a Grã-Bretanha (países que ficam na mesma ilha da Inglaterra) tentando expandir o seu poder em áreas já ocupadas pelas concorrentes;
  • Pan-germanismo: O nacionalismo exaltado dos alemães gerou um sentimento que buscava unir os povos de origem germâmina (Áustria-hungria, Alemanha, etc) sob o poder da Alemanha;
  • Revanchismo Francês: a França queria recuperar os territórios perdidos na guerra franco-prussiana (os alemães quando viraram um país “ficaram” com um pedaço da França;
  • Pan-Eslavismo: Desejo de unir os povos de origem eslava sobre a proteção Estado russo;
  • Questão dos Balcãs e a Grande Sérvia: De um modo geral, a península Balcânica era disputada entre russos, austro-hungaros, turcos e Sérvios. Da mesma forma que o pan-eslavismo, os sérvios também queriam fazer a Grande Sérvia, reunindo bósnios, croatas e eslovenos em um grande país. Novamente o desejo de nacionalismo falava mais alto.
  • A Sérvia: O país passou por duas guerras bem recentes, em 1912 contra os otomanos, e em 1913 contra os austro-hungaros. O país lutava para ser reconhecido e ter sua independência respeitada, pois ainda tinha muita influência otomana e austríaca dentro dos seus territórios. Por isso quando ocorreu o assassinato do Francisco Ferdinando, a Áustria-Hungria caiu em cima dela.

Olhando os parágrafos acima, vamos falar sério: a França era a única que tinha motivo para querer guerra com a Alemanha pelos territórios perdidos no passado. A Inglaterra odiar a Alemanha era recalque pela produção industrial alemã que agora começava a superar a sua. Os alemães já tinham uma produção de aço superior à inglesa. Detalhe, o aço era requisito para todas as outras indústrias pesadas.

No outro lado da moeda, O Império Turco-Otomano queria esganar a Rússia pelas ideias que ela jogava para cima dos seus povos conquistados. Os dois países já haviam se confrontado antes em 1877. A vitória foi russa, porém os russos não conseguiram levantar-se novamente. Contudo, a industrialização russa nos anos seguintes foi financiada em grande parte pelos franceses. E em 1892, a França formou uma entente de franceses-ingleses-russos e a convocou para a guerra para saldar sua dívida.

Esquema mostrando como funcionavam as trincheiras utilizadas na guerra (clique para ampliar)
Esquema mostrando como funcionavam as trincheiras utilizadas na guerra (clique para ampliar)

Se está achando fácil de entender até agora, o Império Turco Otomano tava a fim de entrar do lado do Reino Unido (Inglaterra) e França, mas na última hora mudou de lado por causa da Rússia, que ele odiava desde 1828, na guerra Turco-Russa, que resultou na independência da Grécia. Como segunda opção, tinha o “lado B”. Então formaram uma aliança com a Alemanha, Áustria-Hungria (que também se achava alemã), Rússia e a Itália, que trocou de lado antes da guerra iniciar, pois os ingleses prometeram mundos e fundos para ela.

Não sei se percebeu a treta, mas esses acordos diplomáticos fizeram com que todos os países que participaram da guerra já terem seus combinadinhos antes da própria guerra!! Legal! Desse jeito é óbvio que a guerra ia acontecer de um jeito ou outro. Entendem como é sem noção? Mesmo que os países achassem justificativa para se matarem por quatro anos, podia ser duas guerras menores, ou guerras em momentos diferentes. Não precisava todo mundo se matar ao mesmo tempo!

Veja que de um lado, temos a Tríplice Entente: liderada pela Grã-Bretanha, França, Rússia e demais nações com etnias eslavas ou que queriam se libertar do Império Turco-Otomano. E do outro lado, a Tríplice Aliança: liderada pela Alemanha, junto com a Áustria-Hungria, O Império Turco-Otomano e a Itália (que troca de lado depois de negociar com a Grã-Bretanha dizendo que acreditava que estavam se defendendo e ao atacar).

Ordem dos acontecimentos:

Não considero importante explicar minuto a minuto da guerra tal como um resumo de uma partida de futebol, mas vou listar abaixo os momentos mais importantes na cronologia da guerra… depois de entender os motivos acima, verão que a guerra ia acontecer de um jeito ou outro. O motivo poderia ser qualquer um desde o assassinato do Francisco Ferdinando até o uma espinha de peixe na garganta do Embaixador Francês.

A paz armada tem fim quando o príncipe-herdeiro do trono Austro-Húgaro (cara que ia virar rei depois do pai dele) foi assassinado em Sarajevo (Sérvia), por um estudante bósnio simpatizante da Sérvia. Assim, a Áustria-Hungria, com o apoio da Alemanha, declara guerra à Sérvia (Lembrando que a sérvia não ia com a cara da Austria-Hungria pois ela dominava a Bósnia-Hezergovina onde moravam… os… os… Bósnios). Inicia a primeira fase da guerra: Movimentação. Onde as tropas são movimentadas rapidamente para ocupar territórios o que causa muitas baixas.

  • A Alemanha declara guerra à França e Invade a Bélgica para chegar à França.
  • A Grã-Bretanha declara guerra à Alemanha (por causa da Bélgica).
  • O Império Turco-Otomano se vê sozinho tendo que atacar a Sérvia e a Rússia.
  • A Itália troca de lado, passando à aliada da Entente.
  • Começa a segunda fase da guerra: Guerra de trincheiras, onde as tropas se entrincheiram, não tendo quase nenhum avanço, mas causando muitas mortes.
  • A Rússia, cansada, abandona a guerra, pois estavam com problemas sociais que iriam culminar na Revolução Russa (a coisa estava russa para eles…).
  • Os EUA entram na guerra, dizendo que isso era devido a um suposto ataque da Alemanha aos navios americanos.

Considerações sobre a Guerra

 A presença dos EUA foi fundamental para por fim à guerra por ser uma nação que ainda não havia sofrido nenhuma baixa. Os “States” tinham adotado uma postura de neutralidade, embora tenha acumulado enormes quantias de dinheiro como vendedor de suprimentos para a Entente. Sacanagens a parte, os EUA não sai da primeira guerra como grande vencedor, mas deu um passo importante na direção de um dia tornar-se uma grande potência. Nesse momento, ele aprendeu que melhor do que fazer guerra em casa é fazer guerra na casa dos outros. Para isso aqueça o óleo em uma panela. Acrescente o alho picado e deixe dourar. Em seguida, coloque a mesma quantidade de água indicada na embalagem para fazer o miojo. Deixe ferver. Acrescente o macarrão e em seguida o caldo de galinha. Você ainda prestando atenção? Boa, é isso mesmo. O miojo não tem nada a ver com o que vem agora, mas preciso que esteja 100% ligado pois isso daqui explica o nazismo, o fascismo e a segunda guerra mundial. Tudo isso vai ter a ver com o modo como a primeira termina.

Tirando a participação americana, a verdade é que a parte mais complicada da guerra deu-se após a guerra, em 1919, quando os representantes das nações vitoriosas se reuniram na Conferência de Paris, onde a Grã-Bretanha e a França (que se consideravam as vencedoras da guerra) obrigaram a Alemanha a assinar o Tratado de Versalhes.

Consequências da Primeira Guerra Mundial

Mapa temático mostrando todos os territórios disputados ao fim da guerra.
Mapa temático mostrando todos os territórios disputados ao fim da guerra.

Consequências da Primeira Guerra Mundial

Por culpa do Tratado Versalhes, podemos perceber claramente que ele deixou a porta aberta para ocorrer uma Segunda Guerra Mundial. Em resumo, o tratado de Versalhes não apenas determinava quem eram os perdedores da guerra os forçando a assinar um tratado de paz, mas tratava os perdedores como culpados pela guerra. Esse tratado fez com que todos fossem punidos de uma forma ou outra, mas a culpa recaiu principalmente sobre a Alemanha, por isso ela sofreu mais que as outras nações. Por outro lado, a Rússia não sofreu sanções pelo Tratado de Versalhes, mas participar de uma guerra onde ela não tinha capacidade (e sequer armamentos) para participar. Fez com que seu povo se rebelasse, derrubasse seu governante e instaurasse o regime comunista, é a Revolução Russa que estava em ação. Veja os principais pontos do tratado:

  • A Áustria-Hungria foi divida em três países: Áustria, Hungria e Tchecoeslováquia e proibida de se unir à Alemanha novamente;
  • O Império Turco-Otomano foi reduzido ao território da Turquia, sendo o restante do seu território dividido em diversas nações e ficando com boa parte do território sob o controle da França;
  • A Itália não sofreu nenhuma sanção, mas não ganha as colônias que prometeram, fato que leva a Itália a se aliar ao Eixo na segunda guerra mundial;
  • Por fim: a Alemanha sofre as maiores sanções tendo o seu efetivo militar reduzido a 100 mil homens, sendo proibida de ter armamentos estratégicos tais como canhões, submarinos e tanques (medo que ela atacasse novamente). Também devolveu os territórios da França e, para finalizar teve que pagar uma grande indenização à França e à Grã-Bretanha. Obviamente, isso vai gerar uma crise na economia e um enorme descontentamento para a Alemanha, o que vai gerar um dos motivos que levarão o país a enfrentar uma segunda guerra mundial.

     O tratamento dado à Alemanha com o fim da Primeira Guerra Mundial, a soberba das demais nações vencedoras do conflito e o intenso sentimento de nacionalismo que existia tanto nas nações vencedoras e perdedoras acaba pedindo uma revanche para encerrar as discórdias que uma guerra apenas não conseguira enterrar.

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Referências:

  • ARARIPE, Luiz de Alencar. Primeira Guerra Mundial. In.: MAGNOLI, Demétrio (org.). História das Guerras. São Paulo: Contexto, 2013,
  • DUROSELLE, Jean Baotiste, A Europa de 1815 aos nossos dias (Vida política e relações internacionais). São Paulo: Pioneira. 1976
  • KEYNES, John Maynard. As consequências econômicas da paz. Disponível em: http://funag.gov.br/biblioteca/download/42-As_Consequencias_Economicas_da_Paz.pdf Acesso em 31/05/2020
  • HOBSBAWM, E. A Era do Capital. 1848-1875. Rio, Paz e Terra, 1977.
  • HOBSBAWM, E. A Era dos Impérios. 1874-1914. Rio, Paz e Terra, 1989.
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