O ciclo do Ouro

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No final do Séc. XVII as exportações de açúcar começaram a cair no Brasil devido a concorrência holandesa. No período da união Ibérica os holandeses vieram ao Brasil e a aproveitaram para “roubar o segredo” do açúcar criando assim concorrência para o produto principal da nossa economia. Nesse mesmo período ocorre a descoberta de ouro no interior do Brasil, essa descoberta mobiliza diversas pessoas para o interior do Brasil inclusive pessoas de Portugal que resolvem migrar para cá. Assim inicia o Ciclo do Ouro no Brasil.

Paulistas e Emboabas

Entre 1708 e 1709 houve uma disputa pela exploração da região aurífera entre os paulistas (que se consideravam os donos da região) e os portugueses que chegavam para explorar a região. Os paulistas desde a descoberta anunciada por Bartolomeu Bueno de Siqueira, em 1694, os paulistas criaram os primeiros núcleos de exploração do ouro e, por isso mesmo, julgavam ter direito especiais sobre o território. Já os portugueses, vinham aos montes da metrópole, todos com melhores equipamentos e roupas. Os portugueses vestiam botas de cano alto com plumas na ponta. Para ridicularizá-los os paulistas os chamavam de Emboabas, que em tupi significa “ave emplumada até o pé”.

Essa disputa resultou em muitas baixas para os paulistas que não conseguiram dominar a região. Com o passar do tempo os paulistas aceitaram a derrota e não garantiram os privilégios que tanto queriam. Muitos acabaram migrando para oeste onde mais tarde encontraram jazidas de ouro na região de Goiás e Mato Grosso com os bandeirantes.

 

A administração das minas

Após as guerras entre paulistas e emboabas, o rei de Portugal tratou de organizar sua extração. Observe as novas mudanças criadas pelo governo Português:

  • Como o Nordeste estava em crise a capital mudou-se para Rio de Janeiro, para poder vigiar mais de perto a atividade mineradora.
  • Em 1702 foi criada a Intendência das Minas, um órgão subordinado à coroa para administrar a zona mineradora.
  • Em 1720 desmembraram as capitanias fazendo em que São Paulo fosse uma capitania e Minas do Ouro outra.
  • Ainda no mesmo ano criou o Regimento das minas, que garantia a descoberta de uma jazida ao dono desde que esse desse para a coroa 1/3 do lote de terra a ser explorado.
  • A casa de Fundição foi criada para impedir o contrabando de ouro em pó ou de ouro sem o selo do governo. Na hora de derreter a barra e colocar selo do governo os funcionários do rei retiravam 20% da barra (um quinto).
  • A Capitação era um imposto cobrado em cima do equipamento e número de escravos disponíveis para a mineração. Quanto mais escravos, maior era o imposto.
  • Em cada região aurífera havia uma meta anual a ser cumprida (aproximadamente 1000 kg anuais). Quando esta taxa não era paga, havia a execução da derrama. Neste caso, soldados entravam nas residências e retiravam os bens dos moradores até completar o valor devido. Esta cobrança gerou muito revolta entre a população.

A sociedade do Ouro

A descoberta de ouro e o início da exploração das minas nas regiões auríferas (Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás) provocou uma verdadeira “corrida do ouro” para estas regiões. Procurando trabalho na região, desempregados de várias regiões do país partiram em busca do sonho de ficar rico da noite para o dia. Era tanta gente que durante essa época passou a ser exigido passaporte para novos Portugueses virem ao Brasil. Assim quem não tinha motivos para vir para o país era barrado, impedindo a entrada de mais e mais pessoas para a área mineradora.

As condições de vida nas minas eram precárias. O trabalho, extremamente penoso, devia ser realizado nos leitos de rios ou no interior de galerias profundas. As péssimas condições de trabalho provocavam doenças frequentes, o que fazia com que a vida útil de um escravo fosse muito curta. Fora que era dado prioridade ao escravo masculino, o que provocou uma disparidade entre homens e mulheres na região. Estima-se que 40% da população era de escravos na região das minas. Mesmo assim, a possibilidade de mudança social gerava a oportunidade para que escravos pudessem comprar sua liberdade o que estimulou muito o trabalho na região.

 Assim, cidades começaram a surgir e o desenvolvimento urbano e cultural aumentou muito nestas regiões. Foi neste contexto que apareceu um dos mais importantes artistas plásticos do Brasil: Aleijadinho. Vários empregos surgiram nestas regiões, não somente voltado à extração. Como por exemplo, ferreiros, médicos, mercadores de alimentos, o que acabou diversificando o mercado de trabalho na região aurífera.

Revoltas

Em função da exploração exagerada da metrópole ocorreram várias revoltas neste período, podemos citar como as mais importantes as de Tiradentes (Inconfidência Mineira) e Felipe dos Santos.

Revolta de Felipe dos Santos

Revoltado com a cobrança do quinto nas casas de fundição, Felipe dos Santos Freire, um rico fazendeiro e tropeiro (dono de tropas de mulas para transporte de mercadorias), começou a discursar em público atraindo atenção das camadas populares e da classe média de Vila Rica. Ele reuniu um exército de revoltosos que pegaram em armas e ocuparam a região. Como resultado o governador da região negociou a paz com os revoltosos que se renderam. Mesmo assim os líderes foram presos e suas casas incendiadas. Felipe dos Santos, considerado líder, foi julgado e condenado à morte por enforcamento.

Inconfidência Mineira

O alferes Joaquim José da Silva Xavier, que também exercia a profissão de dentista, liderou um movimento revoltoso contra a cobrança da derrama pela parte da coroa. Tiradentes como era chamado, viveu em um período onde não havia mais tanta oferta de ouro na superfície e, portanto era mais difícil extrair ouro da região. Os ideais iluministas entraram no Brasil nessa época e conquistaram as classes médias urbanas atraindo assim um grupo de inconfidentes (traidores da metrópole) que iriam se rebelar contra a próxima cobrança da derrama, entre eles Joaquim Silvério dos Reis. Na ocasião a cobrança não ocorreu e Portugal veio investigar o que houve. Joaquim dedurou Tiradentes e os outros inconfidentes em troca de perdão de suas dívidas. No fim, Tiradentes foi enforcado em praça pública. Como os inconfidentes queriam uma mudança na sociedade e fim da escravidão a bandeira dos inconfidentes é hoje a bandeira do Estado de Minas Gerais.

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