Fascismo

Share

A palavra fascismo voltou ao jargão popular com a expressão de movimentos políticos de direita conservadora. Apenas gostaria de salientar que nem tudo o que a direita conservadora pode ser considerado fascismo. De uma forma geral, veremos que somente os atos de extrema direita é que se enquadram nessa categoria, assim como os de extrema esquerda. Tá, mas o que é o tal do fascismo?

Quando falamos em fascismo, falamos de um conceito complexo que pode ser entendido como a aplicação de medidas conservadoras que são expressas no poder ditatorial, repressão da oposição por meio da força e que defendem que tais atos são necessários para consertar os “erros da sociedade”.

Tá, mas ainda não entendi nada.

Ok, sem problemas. Para entender como surgiu o fascismo, vamos voltar para a Itália de 1922, antes da segunda guerra com o cara que criou a expressão fascismo: Benito Mussolini.

Mussolini encontrou na Itália um país que estava arrasado pela primeira guerra mundial. O país passava por essa crise por ter tido sua economia arrasada com a guerra e por não ter recebido o apoio que seus aliados prometeram para a reconstrução do país. A Itália que o Mussolini encontrou era um país com a economia arrasada, com corrupção forte no quadro público, com “declínio dos valores morais” e um cenário forte de descrença na política por esse motivo surge um “político que colocará ordem na casa”, mas que para isso precisa adotar medidas drásticas, que não agradarão a todos, mas que devem ser feitas pelo bem maior da nação. Essa expressou foi criada pelo italiano Benito Mussolini em 1919 que remetia a uma organização criada por ele mesmo que era a “Fasci Italiani di Combattimento”. O termo “fasci” significa feixe, era uma referência aos feixes de hastes de madeira com um machado no centro – símbolo da unidade do poder político na Roma Antiga. O cara usou um símbolo do passado para remeter ao passado, em uma época em que a Itália era quem dominava o mundo. Percebem como tudo tem um sentido oculto (na real, nem tão oculto).

Note a “aliança” entre o campo e cidade nessa publicidade fascista.

Mussolini iniciou sua vida política antes da primeira guerra em um núcleo socialista italiano. Em 1914 ele rompeu com os socialistas, pois publicou um artigo em um jornal local defendendo a entrada do socialismo na guerra, coisa que os socialistas eram veementemente contra. Assim, ao voltar da guerra ele aproveitou-se do sentimento de nacionalismo ferido da guerra e iniciou um levante das classes conservadoras da população.

Os Fasci di Combattimento tornou literalmente uma frente de combate. O movimento ganhou força no campo e nas cidades por reprimir os adversários na porrada mesmo. As classes mais altas da sociedade inclusive elogiavam os fascistas por eles usarem da força não só para reprimir os socialistas como para reprimir os movimentos de grevistas. Com todo esse “amor” Mussolini chega ao poder em 1922 depois de seus aliados realizarem a “Marcha sobre Roma”, onde meio que obrigaram o rei Vitor Emanuel III a empossar o Mussolini como primeiro ministro.

Daí em diante é só ladeira abaixo. Mussolini puxou o tapete daquela mesma classe burguesa que o apoiou a chegar ao poder e nem os socialistas conseguiram impedir a posse do “Bonito”. Não demora muito para ele dominar toda a Itália e tornar-se o líder supremo. Entendeu agora em essência o que é o fascismo? Sugiro fortemente que quem não entendeu veja a aula sobre o totalitarismo. Caso não, clica aqui mizifi ou assite abaixo:

Caso sim, então vamos ver quais são as características do fascismo:

  • Sistema político de partido único e controle total do Estado: No qual somente o partido fascista tinha direito a agir no cenário nacional e de operar toda a máquina administrativa do país.
  • Culto ao líder: Exaltação da figura do líder como o salvador da nação, nesse caso o Mussolini era conhecido como o Duce: líder. Que conduziria a nação a um futuro melhor.
  • Desprezo pelas liberdades individuais: todos os valores liberais, tanto da economia como da democracia eram atrasos para o progresso.
  • Exaltação do poder da unidade nacional e perseguição dos grupos mais fracos: No caso por ser um grupo mais forte pode perseguir politicamente livremente grupos contrários aos seus ideais. No caso do fascismo italiano vamos ter uma mobilização contra o socialismo (devido ao medo do socialismo implantar-se no país frente aos problemas sociais/financeiros).
  • Desprezo pelos métodos tradicionais de política: Os métodos tradicionais são ineficazes para trazer a ordem, por isso não poderiam ser seguidos.
  • Exaltação dos valores tradicionais: Os “valores modernos” são considerados inadequados ou imorais e por isso mobilizavam as massas contra esses valores.

Entenda, quando alguém acusa alguém de ser fascista. Está de alguma forma descrevendo alguma dessas características nos atos da pessoa. Até, tenho um vídeo aqui com minha esposa falando mais sobre a expressão fascista:

Rodada bônus: Hitler e Mussolini

Não podia terminar esse post sem falar dos BFFs Hitler e Mussolini. Sim… eles se encontraram, tem fotos do evento e Mussolini foi a inspiração de Hitler. Yep… o cara deu aquele empurrãozinho que faltava pro Adolfo. Ele viu tudo o que foi implantado na Itália, teve tempo pra analisar os resultados e fez igual na Alemanha. Parece o Bolsonaro e o Trump.

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.