Bandeirantes

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Desde o início da colonização os portugueses tinham interesse em explorar o interior do país, porém, como sempre, sem investir dinheiro nesse processo. Durante o século XVI a região de São Paulo passava por dificuldades financeiras, uma vez que a região não era um polo plantador de cana-de-açúcar. Assim a saída para a crise residia em explorar o bandeirantismo: reunir um grupo de homens (os bandeirantes) e com os materiais que tiverem a mãos sair para procurar riquezas no interior do país.

A União das Coroas Ibéricas

Em 1578 o Rei de Portugal, Dom Sebastião, desapareceu durante uma batalha contra os mouros marroquinos. Isso desencadeou uma das maiores crises que Portugal e Espanha viveram desde a separação de Portugal. Como o rei ainda não havia deixado herdeiros, seguindo a linha de sucessão o parente mais próximo seria Filipe II, rei da Espanha e neto do pai de D. Sebastião (confuso, não?). No controle do monarca espanhol o país deixou de viver limitado pelo Tratado de Tordesilhas uma vez que houve a centralização dos governos espanhol e português sob um mesmo governo.

Filipe II tentou não meter a mão nos negócios portugueses deixando que os portugueses ainda explorassem o comércio de escravos da África para o Brasil mas procurou colocar alguns barcos seus para explorar a atividade. Aqui no Brasil o espanhol atraiu o ódio dos holandeses que não invadiriam o país na época dos portugueses. No fim essa invasão holandesa, criou problemas para o monopólio da atividade açucareira em praticamente todo o litoral nordestino. Os holandeses só foram embora do país no ano de 1640 quando houve a Restauração e o retorno de um rei português ao trono com a Dinastia de Bragança. Mas durante todo o tempo da união ibérica os Bandeirantes aproveitaram ao máximo para explorar o território espanhol livremente, ou seja, ignoraram o Tratado de Tordesilhas.

Entradas ou Bandeiras

O governo português organizou algumas dessas expedições para o interior. Essas expedições financiadas pelo governo eram chamadas de Entradas, já as feitas com recursos próprios da população (privado) eram chamadas de Bandeiras. Durante dois séculos os bandeirantes foram responsáveis por expandir os limites da colônia e buscando diferentes formas de arranjar dinheiro. Ao todo podemos dividir as bandeiras em três grupos:

  • Bandeiras de Apresamento: Esse tipo de bandeira foi a mais utilizada durante o período da União Ibérica. Os Paulistas procuravam índios para a escravização. Os índios, chamados de “gentio”, eram utilizados nas plantações antes da mão de obra africana porém era complicado escravizar os indígenas pelo tabu do trabalho agrícola ser uma atividade feminina. Por isso os bandeirantes buscavam índios nas escolas jesuíticas pois esses índios já estavam acostumados com o trabalho agrícola como resultado da catequese. Isso gerou até guerras entre os bandeirantes e os colégios jesuítas principalmente em áreas como no Rio Grande do Sul, que na época era espanhol.
  • Sertanismo de contrato: Essas expedições foram muito comuns após a proibição da escravização indígena. Os sertanistas foram empregados principalmente para fazer guerra com tribos indígenas hostis e para caçar escravos africanos fugitivos que se escondiam em Quilombos. Muitos bandeirantes foram contratados para derrubar o Quilombo de Palmares.
  • Bandeiras de Prospecção: Esse tipo de bandeirante agiu principalmente para o interior do Brasil na direção de Goiás e Mato Grosso. Esse tipo de bandeira procurava pedras ou metais preciosos. Foi responsável por encontrar as primeiras jazidas de ouro nas regiões onde atuou. Também esse tipo de bandeiras foi responsável por reunir cabeças de gado selvagem que cresciam no interior do território espanhol. Essas cabeças foram trazidas pelos primeiros Jesuítas em 1500 e a quase cem anos viviam de forma selvagem. O destino do gado eram as feiras de Sorocaba.
Mapa das principais Bandeiras durante a colônia.

Os novos limites da colônia

O Bandeirantismo desafiou os limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas. Como resposta a isso Portugal e Espanha tiveram que discutir novos limites para a sua colônia:

  • Em 1750 o tratado de Madrid deu aos Portugueses o “direito de uso” das terras à esquerda da linha de Tordesilhas.  Portugal garantiu o controle das regiões da Amazônia e do Mato Grosso.
  • Em 1777 o Tratado de Santo Idelfonso estabelecia que a Espanha ficasse com as colônias de Sacramento e os Sete Povos. Em contrapartida, Portugal conquistou a ilha de Santa Catarina e boa parte do Rio Grande do Sul.
  • Só em 1801 o tratado de Badajós entregou a região dos Sete Povos das Missões (Rio Grande do Sul) aos portugueses com a obrigação dos portugueses tirarem os pés da colônia de Sacramento (Uruguai). A medida gerou guerras entre bandeiras  contra os índios e jesuítas que se recusavam a sair da região onde hoje é o Rio Grande do Sul.
Os novos limites da colônia negociados após os Bandeirantes

Os bandeirantes deixaram de existir gradativamente quando com a intensificação do controle das autoridades portuguesas e as reformas promovidas pelo Marquês de Pombal. Mesmo com todas as bagunças que eles fizeram no lado espanhol os bandeirantes foram fundamentais para expandir os limites da colônia portuguesa e definir o mapa do que conhecemos hoje como Brasil.

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